| Sabedoria
exige tempo. Só o tempo parece mostrar a importância
de deixá-lo se esvair, a fim de que esperemos o
tempo do outro para a fruição da harmonia.
Emoção
também tem seu tempo. As ações da
razão às vezes são mais rápidas
e fáceis, como a experiência do mundo de
consumo. Entretanto, o desemboque das emoções
pode demorar, embora precise acontecer. E ele vem, não
se sabe quando. E acontece no corpo, no etéreo,
no papel; explode em um escândalo após uma
vida de comportamento impecável; se despeja numa
conversa de bar descompromissada à primeira vista,
mas farta de lágrimas ao final; nas crises crônicas
de amigdalite, nas enxaquecas noturnas cruciais; na compulsão
por todo tipo de externos: alimentos, trabalho, sexo.
Em
muitos, a emoção grita, ela é motriz,
impulso, motivo, verdade e ironia. Tópico predominante,
raiz de furacão, ameaça de intempérie.
Tempo
e ser. Os tópicos podem estar congelados em fases
diferentes da vida. Assim, um homem pode apresentar emoções
da infância, pré-juízos de adolescência
e uma visão de mundo adulta. Cada vez que entrar
em contato com o tópico específico, retomará
as características daquela fase da vida: assumirá
voz, postura física e até mesmo termos próprios
do período existencial correspondente cronológico
ao tópico.
Lidar
com o mundo – o mundo de si, o mundo do outro –
exige sapiência, a sabedoria temporal, seja relativa
à noção de tempo como tudo aqui agora,
ou passado, presente e futuro, ou do tempo cronológico
em embate com o subjetivo, ou do entendimento do tempo
interior em interação com o tempo do outro.
E
ainda uma outra categoria: agendamentos locais massivos
podem agredir as emoções: reencarnar as
relações passadas; fazer o entrecruzamento
do tempo, tornando o passado atual; desmanchar as circunstâncias
presentes e tornar o ser repetitivo, autômato, marionete
de si mesmo, um ser duplo, que pensa que sente[1]; crê
dirigir-se, mas está enredado em teias de hábitos.
Assim, o tempo consubstancia o temerário destino.
Podemos fugir?
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