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Unicidade Sentir e Pensar
 
 Título - Unicidade Sentir e Pensar
Autor - Vânia Dantas
 
Uberaba - MG
 
 Título - Unicidade Sentir e Pensar
Vânia Dantas

Sabedoria exige tempo. Só o tempo parece mostrar a importância de deixá-lo se esvair, a fim de que esperemos o tempo do outro para a fruição da harmonia.

Emoção também tem seu tempo. As ações da razão às vezes são mais rápidas e fáceis, como a experiência do mundo de consumo. Entretanto, o desemboque das emoções pode demorar, embora precise acontecer. E ele vem, não se sabe quando. E acontece no corpo, no etéreo, no papel; explode em um escândalo após uma vida de comportamento impecável; se despeja numa conversa de bar descompromissada à primeira vista, mas farta de lágrimas ao final; nas crises crônicas de amigdalite, nas enxaquecas noturnas cruciais; na compulsão por todo tipo de externos: alimentos, trabalho, sexo.

Em muitos, a emoção grita, ela é motriz, impulso, motivo, verdade e ironia. Tópico predominante, raiz de furacão, ameaça de intempérie.

Tempo e ser. Os tópicos podem estar congelados em fases diferentes da vida. Assim, um homem pode apresentar emoções da infância, pré-juízos de adolescência e uma visão de mundo adulta. Cada vez que entrar em contato com o tópico específico, retomará as características daquela fase da vida: assumirá voz, postura física e até mesmo termos próprios do período existencial correspondente cronológico ao tópico.

Lidar com o mundo – o mundo de si, o mundo do outro – exige sapiência, a sabedoria temporal, seja relativa à noção de tempo como tudo aqui agora, ou passado, presente e futuro, ou do tempo cronológico em embate com o subjetivo, ou do entendimento do tempo interior em interação com o tempo do outro.

E ainda uma outra categoria: agendamentos locais massivos podem agredir as emoções: reencarnar as relações passadas; fazer o entrecruzamento do tempo, tornando o passado atual; desmanchar as circunstâncias presentes e tornar o ser repetitivo, autômato, marionete de si mesmo, um ser duplo, que pensa que sente[1]; crê dirigir-se, mas está enredado em teias de hábitos. Assim, o tempo consubstancia o temerário destino. Podemos fugir?


 
 
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