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Por que Iremos para o Céu?
 
 Título - Por que Iremos para o Céu?
Autor - Lúcio Packter
 
Porto Alegre - RS
 
 
 
 Título - Por que Iremos para o Céu?
Lúcio Packter

Porque sairemos desta vida tão sofridos que todos os pecados terão sido expiados. Porque somos brasileiros e acreditamos que os brasileiros são bons, são quase honestos, são escolhidos.

Iremos para o céu porque quando morrermos descobriremos que o inferno não existe de fato, só de direito. Porque as almas, livres dos corpos, tornam-se etéreas, leves, semelhantes às nuvens, e nuvens têm a necessidade dos céus.

Iremos para o céu por causa do clima ameno, dos costumes serenos, da vida pacífica, da probabilidade das arpas. Iremos para o céu porque mesmo em nossa maior maldade somos ainda anjos. Mas não teremos as asas por conta dos merecimentos que faltaram.

Iremos para o céu e encontraremos nossos amigos, nossos pequenos animais domésticos, nossos amores, e, se procurarmos nas campinas verdejantes, nossos sonhos novamente.

E no céu não estaremos sós, não teremos medo, não duvidaremos, e seremos saciados de toda a saudade. Olharemos para a Terra com olhos amorosos e úmidos. Procuraremos pelos que deixamos e neles derramaremos bênçãos, perdão, amor. Desta vez não pediremos compreensão porque compreensão seremos.

Iremos para o céu, meus amigos! E isso será logo, será certo, mas não será calmo. Calmo é o céu. O céu é azul, é onde está Deus, seus ministros, Nossa Senhora. E o primeiro deles que nos abrirá as portas, Pedro.

Procure-me no céu. Não procure pelo meu nome, pois no céu as gentes são achadas pelo coração. Procure-me pelo meu coração. E quando me encontrar terá encontrado você mesmo.

Minha nossa!, mas que saudades eu tenho do céu!

... ouvi isso, na ordem literal em que pude reproduzir, de uma senhora a quem a medicina dos homens alcunha de “esquizofrênica”. Fiquei comovido, admirado, agradecido. De vez em quando gosto de lembrar como o céu é bonito. Fui caminhando do meu consultório até o hotel calado, sereno, carregando alguns livros debaixo do braço. Um céu azul bem acima se espalhando pelos horizontes, bem como ela falou.


 
 
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