Durante
muito tempo se pensou que a melhor maneira de divulgar
um produto ou serviço era enviar ou mostrar mensagens
comerciais para grandes grupos, na esperança de
que algumas pessoas se interessassem pelo produto anunciado.
Hoje em dia, atrapalhar e/ou interromper estranhos com
mensagens indesejadas sobre um produto do qual nunca ouviram
falar, não é mais eficaz, além de
ter uma relação custo/benefício muito
alta. Os consumidores tem muito pouco tempo a perder e
não toleram mais este tipo de invasão.
As
idéias e produtos de maior sucesso são aquelas
que se espalham e crescem através da relação
de clientes com outros clientes, e não do vendedor
com o cliente. É o marketing boca a boca, onde
se planta uma semente num terreno fértil, e a partir
dai , começam a surgir negócios entre as
pessoas.
Este
marketing boca a boca, nada mais é do que "princípios
de verdade" que as pessoas trocam entre si. Quando
se entra em intersecção com elementos semelhantes
trazidos por outra pessoa, abre-se espaço para
que as Estruturas de Pensamento troquem "verdades"
subjetivas entre si. Assim, pessoas com "verdades"
semelhantes em suas EPs podem interagir e compartilhar
estes princípios em várias amplitudes.
A
decisão de jantar num restaurante, comprar uma
roupa cara ou assistir um filme, muitas vezes é
influenciada por uma recomendação de um
amigo. Muitos executivos de agencias de publicidade sabem
disto, e acreditam que o apelo da propaganda boca a boca
seja a única forma de persuasão que a maioria
das pessoas ainda responde.
Mas
para que uma idéia inicie seu processo de disseminação,
é preciso haver um agente inicial de transmissão.
Alguém que além de ser conhecido, tenha
o dom da comunicação e transmita a sensação
de confiança. Alguém que quando fale para
dez, vinte ou cinquenta pessoas, essas pessoas acreditem
e transmitam adiante a informação. Em marketing,
chama-se de agente contaminador. Provávelmente
a confiança esteja no âmago do compartilhamento
de "princípios de verdade", muito embora,
"verdades" aqui, devam se entendidas como conceitos
que habitam a EP , independente de se constituirem juizos
ou não.
Quando
o filme Indiana Jones foi para as telas, estrelado por
Harrison Ford ninguém podia imaginar o que aconteceria
à indústria de chapéus. Milhões
de pessoas com espírito aventureiro e que foram
assistir o filme justamente por compartilharem este tipo
de vida, foram influenciados pelo estilo de Harrison Ford,
e na ânsia de se assemelharem ao herói, compraram
chapéus daquele estilo. Foi a maior venda da indústria
chapeleira, e Ford foi o agente contaminador.
Por
que isto aconteceu? Porque as verdades subjetivas do herói
no filme foram compartilhadas nos mais variados segmentos
da Estrutura de Pensamento dos espectadores. Dados emocionais,
epistemiológicos, somáticos, pré-juizos,
buscas entraram em intersecção de alguma
maneira e influenciaram as pessoas no sentido de se assemelharem
ao modo de vestir da pessoa que lhes transmitiu confiança
e talvez, sem que ninguém percebesse, trocou algum
"princípio de verdade".
Atores,
atletas, personalidades do mundo da moda e outros personagens
são utilizados pela mídia publicitária,
objetivando atingir Estruturas de Pensamento de públicos
segmentados , e a partir dai, explicitamente trocar principios
de verdade e contaminar pessoas com novas idéias.
Assim, produtos, mensagens, idéias e comportamentos
podem se espalhar como virus.
O
ser humano em geral, é muito influenciado pelo
meio em que vive, pelo contexto imediato e pela personalidade
das pessoas que o cercam. Em decorrência desta volubilidade,
ocorrem tantas mudanças sociais, muitas vezes de
maneira rápida e inexplicável. E estas epidemias
comportamentais podem ser deslocadas tanto para o lado
do bem como para o do mal, e apesar do nome do processo
de disseminação utilizado ser "principio
de verdade", muitas vezes, o que se espalha e contamina
é uma mentira.
Baseado
nos livros Marketing Trens 2005 - Francisco Alberto Madia
de Souza - O Ponto de desequilíbrio -Malcom Gladwell
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