| A
estrutura narrativa imprecisa refúgios de singularidade.
Esboço nem sempre pronunciável para conjugar
escutas aos desconhecidos endereços existenciais.
Admirável poesia na pluralidade significante da
loucura. Entremeios de não entendimento, um saber
principia aproximação com as exóticas
geografias.
Matéria-prima
extravagante e destituída de significados mostra-se
na expressividade das traduções compartilhadas.
Ponto de vista ao visível e invisível tornarem-se
uma coisa só. Lógicas da insensatez possuem
um saber cigano: indescritível forasteiro a sentir-se
em casa no lugar qualquer de todo lugar. Castelos, oceanos,
estrelas e seus personagens, surgem de um nada a incluir
tudo. O renascimento diário encontra, no entusiasmo
delirante, um aliado ao surpreendente mundo novo.
Muitas
vezes, entre a animação das idéias
e seu dizer, a pessoa permanece encarcerada num imenso
abismo. Linguagem de engenho fértil na distância
aproximada onde mitos, fantasias e devaneios percorrem
territórios de aparente ilusão. Pelo inaudito
da insanidade a ficção esboça seus
juízos.
O
dizer poético do maluco permanece incógnita,
até sua localização no solo propício
ao plantio e florescimento. A partir dos termos agendados,
regularidade expressiva e intencionalidade, o aparente
sem sentido desdobra-se em inéditos, os quais apreciam
insinuar-se no disfarce desatinado das crises. Um discurso
dessemelhante fala de si mesmo e daquilo ainda sem vocabulário.
Espécie descontínua a dialogar com a desestrutura
imprecisa dos relatos novos.
Como
um artesão a esculpir sua obra de arte, o Filósofo
Clínico trata de aprender com os signos imprevistos.
Elabora escutas, olhares e diálogos, no lugar onde
a estrutura das profecias se manifesta. Imensidão
onde o contar nem sempre encontra palavras para se dizer.
Fugaz insinuação na im-permanência
do desatino. Essa simbologia refere-se, muitas vezes,
à proteção das dialéticas
para não permitir a profanação das
vontades. Esconderijos oferecem nuanças por um
sagrado indizível.
Na
descrição de vir-a-ser obtuso, a ficção
elabora-se em fingimentos de ser improvável. Assim
a lou_cura assume um papel desbravador, ao possuir visões
de maior alcance. Ânimos de exaltação
anunciam extraordinários percursos à intencionalidade.
Uma
epistemologia desconfiada procura seguir os desvios da
diversidade. Pelo caminho os fenômenos distantes
da empiría esparramam vestígios de imensidão.
Segredos possuem escolhas ao querer dizer ou silenciar.
De qualquer forma apreciam decifrar enigmas entremeios
de um e outro. Mundos inicialmente caóticos podem
conceder sentidos inesperados ao dizer delirante.
Exilada
de si mesma, a subjetividade esboça contradições
de emancipar-se, extrapola limites e desconstrói
incontáveis personagens. Aí a natureza já
contém indícios para legitimar-se.
Um
aprendiz atualiza-se no caráter retrospectivo da
historicidade. Laboratório da terapia a qualificar
interseção com a representação
fugidia das pretéritas vivências. Aspectos
de sombra e luz alternam-se na estrutura caótica
de um raciocinar híbrido. Na ausência de
um ponto de vista conhecido, o não-dito surge,
também, através dos sentimentos e intuições.
Peregrino enredo a revelar inesperadas regiões
da alma.
Nesse
sentido, constitui-se um encantamento ao contar que captura,
na coincidência do instante, alternativas de cuidar.
A própria voz das coisas fala em lacunas de esquecer
e lembrar. Assim disposta, a língua revela-se como
diversidade perspectiva.
O
‘pharmakós’ como feiticeiro das palavras,
também é um mestre da ilusão. Possui
aptidão para dialogar com a linguagem secreta em
desdobramentos de indeterminação. As narrativas
do sujeito encontram ressonância na rara lucidez.
Alquimia a surgir das regiões desconhecidas. Percursos
na aptidão em presságios de viver diferente.
Abertura na distância aproximada com os recantos
da condição humana. Dissolução
das anterioridades em conexão de recém chegada.
Na
afirmação incerta das pequenas coisas as
derivações já oferecem vestígios
de maior alcance. Estranha correspondência para
enxergar, na visão embaçada do terapeuta
um devir extraordinário ao dizer em ecos de silenciar.
Os
desajustes antecipam outras verdades ao impronunciável
da voz. Quiçá descontinuidades em lógicas
de invenção. Fenômenos em signos de
ilusão a preparar gritos, lágrimas ou desatinos
em busca de poder ser compartilhado. Não há
indiferença em relação aos delírios
do outro, o qual reapresenta-se nos reflexos do nosso
olhar.
Deste
modo, a ‘epistéme’ pode ser refúgio,
remédio ou veneno. A loucura, assim disposta, institui-se
como arte de engendrar. Característica excepcional
a conjugar novas espécies ao por vir. Para um compartilhar
ainda impronunciado, o sem norte propõe elos com
o aparecer extraordinário nas esteticidades.
Voz
extravagante a se ouvir em aspectos de ser forasteiro.
No dizer, inicialmente indiscernível, inaugura
com seus desajustes, uma imensidão improvável
de regiões da alma. A linguagem assim constituída
insinua-se admirável. Anotações à
margem da fonte de inspiração a contradizer
seus códigos.
Percorrer
as zonas de interdição reivindica um sujeito
inconformado com as certezas cotidianas. Na im-permanência
das transições os contextos de inexatidão
denunciam nem sempre ser possível à coincidência
entre coisas e nomes.
Territórios
inexplorados antecipam-se no olhar compartilhado em deslocamentos
de ir-realidade. Um mundo deixa-se mostrar na polissemia
dos esconderijos. Subjetividade a disponibilizar seu devir
em dialetos de sentido único. Descontinuidades
evidenciam miragens ao explorar dos invisíveis
espaços. Aptidão inventiva favorecida pela
literatura, música e teatro. Também nas
manifestações de raridade da ficção.
Um processo contraditório se faz incógnita
nas reticências da semiose alienada. Aquilo que
não encontra meios para se dizer, nem por isto
deixa de existir.
Um
inquietar elabora-se em meio às tentativas de decifração.
Na inconstância de dialogar solitário, a
permanência é o olhar incrível dos
outros, espécie de divisor de águas em pactos
de vigilância.
Rituais
de transgressão profana reinventam pontos de partida.
Sinais de vida nova nas coisas a invocar sentidos outros.
Para alguém assim estruturado, os colóquios
de irreflexão antevêem refúgios até
então desconhecidos. Aquilo possível de
vislumbrar num instante, no seguinte já mudou de
forma. Lá onde a manifestação verbal
tiver atingido seu maior grau de objetivação,
o espírito já terá partido em direção
a outras aventuras. Uma consagra-se na armadilha conceitual
de jamais alcançar a outra.
Ao olhar difuso do terapeuta uma matéria-prima
se elabora como ‘mimésis’ aos ditos
incompreensíveis onde nada mais é conhecido.
Panoramas se modificam a todo instante: lugares, pensamentos
ou sonhos, não mais encontram vocabulário
para significar-se. Trata-se aqui de reinventar a descrição
mal_dita em matiz de insanidade.
Enunciados
de incerteza num discurso até então inimaginável.
Na recém-chegada, as chances de se escolher o regresso,
como forma de restabelecer algum equilíbrio vai
aumentando. No entanto, quando se chega onde viveu, descobre-se
que, também estes, já são outros
lugares. Abismos epistemológicos declaram-se na
intencionalidade estapafúrdia.
Colóquios
de enlouquecimento anunciam espaços de precipitação,
no engendrar característico das buscas. Proclamam
liberdade na desintegração dos delírios.
As crises abalam a pretensão das certezas. Na pluralidade
das leituras realiza-se uma tradução aos
irreconhecíveis sinais.
In-conclusão
dessas vontades sem representação. Na periferia
dos traçados proliferam complexidades de não
poder dizer. Admirável poética a insinuar-se
entre-dentes. Porta-voz a superar muros de não-ser.
Contextos de surreal alternam-se no pensar em refúgios
de exceção. |